quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Termo



Há uma necessidade de papel de visitar a mesma casa todas as sôfregas vezes para que não corra o risco de desaprender tudo de novo. Percorrer o mesmo turbilhão de caminhos cruzados sem nunca me perder ou sem nunca me deixar de perder da mesma forma. Contra tudo o que já foi dito antes, talvez seja mesmo mecânico. E talvez esta necessidade de desembrulhar o braço cheio de veias mapeadas não seja humana. Por mais voltas que dê, torna-se sempre ao mesmo ponto sem chão.
Já não é assustador.
É apenas rotineiro.

Doem-me as pernas, as costelas fora do lugar, a tosse ataca sorrateira e eu não sei quanto tempo falta para o fim.



Maria Rocha, 2007

8 comentários:

Vanessa Lourenço disse...

My dear Mar, eu também não sei quanto falta para o fim, poré, conheci-te há tão pouco tempo que só tenho a desejar que esse fim seja longínquo o suficiente para nos rirmos ainda muito e demasiado.
Um beijo desta admiradora humorística e literária.*

Vanessa Lourenço disse...

Já agora, ´uma hora vergonhosa e comeram-se-me as palavras..."Mary", "porém", coisas parvas...haha***

M.R. disse...

:D

Sabes, eu tinha, ainda há pouco, escrito umas palavras para ti no outro comentário... mas achei que já estava a divagar demais. Chego aqui e vejo que escreveste quase idêntica uma das frases. Foi uma noite muito boa. E muitas mais virão, espero.

O avanço da hora é só uma desculpa para os que... humm... são assim meio doidos. (Nós?! ahahah e o João também, mas ele sabe disso).

***

Bordello disse...

Deixa-te perder, mas nunca de forma mecânica ou rotineira...

Asas disse...

Olá Maria!
Já se passaram alguns anos, não sei se te recordarás de mim (Dementia).
Facto é que voltei aos blogues e reencontrei-te curiosamente neste "trilho" :)
Continua a tua escrita sublimemente viciante e é reconfortante voltar a ler-te.

E agora que tornei a saber de ti, prometo voltar mais vezes!


Beijinhos,
Vanessa

John Rafel! disse...

A casa é abrigo por algum motivo. Relembrar não é sinal de fraqueza, apenas de perseverança e integridade.

Quanto ao fim.. já diria o senhor manuel cruz "não existe um fim do que existe em nós", muito menos no teu ser pá! Eterno, eterno!

Quanto ao ser doido...epá se eu dissesse alguma coisa seria apenas atirar mais achas para a fogueira! Isto sim é um autêntico viveiro de loucos! Ahahaha**

delusions disse...

"E talvez esta necessidade de desembrulhar o braço cheio de veias mapeadas não seja humana. Por mais voltas que dê, torna-se sempre ao mesmo ponto sem chão."

Mais um escrito deste trilho onde acabo sempre por regressar...Gostei muito

Bjs*boa semana

Bárbara disse...

por vezes uma pessoa questiona-se, quando será o meu fim? existe um fim, ou um começo novo?como sera? vai doer?
nao a respostas para tais perguntas tao sentidas e verdadeiras, pois sao respostas que queremos, pois sabemos que disso nao nos livraremos.
deixa, deixa algo escrito, pintado ou esculpido por ti, e assim nao havera fim, pelo menos para o teu ser, e assim nunca cairas no esquecimento.