segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sala 30


Fizeste-me lembrar algo que estava semi-arrumado numa gaveta.
Ainda guardo os suportes escritos das personagens sublinhadas
que fizemos nascer. Lembro-me que me apanhaste a meio de uma metamorfose. Nunca mais fui a mesma. A partir daí, começaram-me a tratar pelo primeiro nome, tal e qual na primária. Desde sempre foi assim, excepto naqueles anos específicos em que vesti peles diferentes, em que me destruí e me reconstruí vezes sem conta. Aprendi a ser calma, mais ainda do que conheceste. Também aprendi a viver mais, a ler mais, a abraçar mais.
Tinha tanto medo de o fazer, sabes. Se não vos tivesse conhecido não seria a mesma que hoje a minha pele esconde. Antes de começar a escrever-te, levantei-me da cadeira e fui fechar a porta na ingénua tentativa de parar e retroceder o tempo até lá.
Aquele momento em que estavas lá em baixo e nós te acenávamos de dentro daquela sala que, na verdade, era mágica - permitia-nos ir de forma vazia e sairmos de lá cheios, plenos. Estou com esta a palavra a passear-me por dentro há uns dias. Aconteceu-me tanta coisa. Atravessei tantas pontes nestes anos. Às vezes, regresso a alguns lugares-comuns. Lembras-te disto também? Há pessoas que, por mais longe, por mais mudadas que estejam exteriormente, continuam as mesmas crianças por dentro.
Queria contar-te muito mais. Queria muito mais. Continuo a querer. E querendo ou não, fazes parte de mim. O mérito é teu. O amor é meu. Nosso.


"Lembra-te que és apenas metade do que podes vir a ser."



Maria Rocha, 2008

2 comentários:

Vanessa Lourenço disse...

Ciente do que fui, ciente do que quero ser, dá-me a mão, quero percorrer-te as linhas da tua palma e perceber que as já vi antes.***

Diana disse...

continuamos a querer. continuamos a ter o amor que é nosso. Na sala 30 aprendi a rir, a chorar, a abraçar pessoas, a saborear coisas...Eu pensava que era o incenso do teatro, era aquele extase que nos faziam ressacar emoções. também era. mas era tão mais...

a nossa sala 30...não imagino como seria sem esse pedaço de vida. não imagino como seria não ter esta vontade de te abraçar...

contigo acreditei, como hoje acredito, que era apenas metade do todo. que poderemos ser sempre mais...de copo meio cheio ou meio vazio.

obrigada amiga, por este e por todos os momentos de metamorfose e simples estar.

abraço forte*