Desde há momentos que sinto a cidade a respirar nas minhas batidas cardíacas. Há um pedido de ajuda em uníssono, em sintonia que me rouba o chão nos milésimos de segundo em que não tenho a certeza se o meu peito voltará a dar sinal de si. Espero que grite, espero que sangre, espero e por esperar tenho o tempo dentro do punho. Ninguém sabe ler as chamas que me habitam os olhos de tempos a tempos.
Já não as estranho, a carne habituou-se a consumir-se de todas as formas (im)possíveis.
É assim que me compreendo. Que me julgo. Que me acarinho. Tudo isto depois de me afogar na mais cruel realidade. É em confissão. Sempre. E de todas as vezes que me encontro estou cada vez mais perdida no meio desta cidade, que é minha, sempre foi. É por estar tão perdida que já fiz nascer o meu lugar.
É uma mensagem sem palavras.
Maria Rocha, 2008
4 comentários:
uau... de cada vez que leio os teus textos sinto que valeu a pena.
Anda-mos todos perdidos.
Por isso cria-mos os nossos mundos, um refugio para quando se quer paz e isolação total.
Cumps ******
Concordo com o Bordello... Acho que vale sempre a pena. Gosto muito da forma que dás às tuas palavras, tocam-me sempre **
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